6 de abril de 2024 • Por Equipa Pawsome
Carrapatos em Cães: Prevenção, Remoção Segura e Sinais de Alerta
Carrapatos são parasitas externos que representam uma ameaça real para a saúde dos cães — e, em alguns casos, para a saúde humana também. Mais do que uma questão estética ou de incômodo, esses pequenos artrópodes são vetores de doenças graves, como erliquiose, babesiose e febre maculosa, que podem ser fatais se não tratadas a tempo. Entender como prevenir infestações, remover carrapatos com segurança e reconhecer os sinais de alerta é uma das habilidades mais importantes de qualquer tutor responsável.
O que são carrapatos e como funcionam?
Carrapatos são aracnídeos hematófagos — ou seja, se alimentam de sangue. No Brasil, as espécies mais comuns em cães são o Rhipicephalus sanguineus (carrapato marrom do cão), o Amblyomma cajennense (carrapato-estrela) e o Amblyomma aureolatum, este último especialmente relevante como vetor da febre maculosa em algumas regiões.
O ciclo de vida do carrapato passa por quatro fases: ovo, larva, ninfa e adulto. Em cada fase de vida livre (larva, ninfa e adulto), o parasita precisa se alimentar de um hospedeiro. Após a refeição de sangue, a fêmea ingurgitada cai do hospedeiro, deposita milhares de ovos no ambiente e morre. Isso explica por que infestações ambientais são tão difíceis de controlar: além de eliminar os carrapatos no cão, é necessário tratar o ambiente onde ele vive.
O período de fixação importa: quanto mais cedo o carrapato for removido, menor o risco de transmissão de alguns agentes patogênicos. Para a transmissão da febre maculosa, por exemplo, estima-se que o carrapato precise estar fixado por várias horas para que a bactéria seja transmitida. Isso torna a inspeção corporal diária uma medida preventiva de real valor.
Como remover um carrapato com segurança
Encontrar um carrapato fixado no cão pode ser alarmante, mas a remoção correta é simples quando você tem o equipamento certo e segue os passos adequados.
O que você vai precisar
- Pinça fina de pontas retas ou removedor específico de carrapatos (disponível em pet shops e clínicas veterinárias),
- Luvas descartáveis (importante para evitar contato direto, especialmente no caso de carrapatos que possam estar infectados),
- Antisséptico (álcool 70% ou clorexidina),
- Pote pequeno com álcool para descartar o parasita.
Passo a passo da remoção
Primeiro, calce as luvas. Afaste os pelos ao redor do carrapato para ter boa visibilidade. Segure a pinça o mais próximo possível da pele do cão, sem beliscar a pele. Puxe com firmeza constante, em linha reta, sem torcer. O objetivo é remover o carrapato inteiro, incluindo as peças bucais fixadas na pele.
Após a remoção, mergulhe o carrapato no pote com álcool para matar o parasita. Não esmague com os dedos, não jogue no vaso sanitário sem antes matar — carrapatos são surpreendentemente resistentes.
Higienize o local com antisséptico. Observe a área nas próximas semanas para verificar sinais de irritação, vermelhidão persistente ou infecção.
O que não fazer
Existem “receitas caseiras” para remoção de carrapatos que circulam na internet — vaselina, querosene, álcool diretamente no carrapato ainda fixado, fósforo aceso perto da pele. Todas essas abordagens são perigosas. Quando o carrapato é submetido a estímulo irritante, pode regurgitar o conteúdo do intestino de volta para a ferida, aumentando o risco de transmissão de patógenos. Além disso, podem causar queimaduras ou infecção no cão.
Evite também torcer o carrapato durante a remoção, pois isso pode fazer com que as peças bucais se quebrem e fiquem retidas na pele, causando reação inflamatória local.
Prevenção: a estratégia mais eficaz
A prevenção contínua é muito mais eficaz do que a remoção reativa. Existem três pilares do controle de carrapatos: uso de antiparasitários, inspeção corporal regular e manejo ambiental.
Antiparasitários: opções disponíveis
O mercado oferece diversas formulações antiparasitárias com eficácia comprovada contra carrapatos:
Coleiras antiparasitárias de longa duração (como as que contêm imidacloprida e flumetrina) são altamente eficazes e práticas, com proteção de vários meses. Precisam de ajuste adequado ao pescoço do cão e devem ser mantidas secas nas primeiras 48 horas após a aplicação.
Spot-on (pipetas) aplicadas na nuca do animal oferecem proteção que varia de quatro semanas a três meses, dependendo do produto. A vantagem é a facilidade de aplicação; a desvantagem é que a frequência de reaplicação é maior em regiões de alta infestação.
Comprimidos orais com princípios ativos como afoxolaner, fluralaner ou sarolaner são opções de alta eficácia com duração de um a três meses. Agem matando o carrapato após a fixação — o que é uma proteção eficaz, mas não impede o contato inicial. Para cães que tomam banho com frequência, a via oral pode ser mais vantajosa.
Shampoos e sprays carrapaticidas têm ação de curta duração e não substituem as outras modalidades como proteção preventiva regular. São úteis como complemento ou em situações de emergência.
A escolha do produto deve ser feita com orientação veterinária, levando em conta o perfil do cão (peso, idade, estado de saúde), o nível de exposição ao ambiente e a rotina do tutor.
Inspeção corporal: rotina de alta eficácia
Após passeios em áreas com vegetação alta, gramados ou mata, faça uma inspeção manual completa no cão. Os carrapatos costumam migrar para áreas de pele mais fina e com maior fluxo sanguíneo. Preste atenção especial a:
- Orelhas e região ao redor dos olhos,
- Pescoço e região sob a coleira,
- Axilas (região entre os membros anteriores e o tórax),
- Virilha e região inguinal,
- Entre os dedos das patas,
- Cauda e região perianal.
Em cães de pelo longo, a inspeção com os dedos é fundamental, pois os carrapatos pequenos (larvas e ninfas) podem não ser visíveis a olho nu com facilidade.
Manejo ambiental
O ambiente onde o cão vive é frequentemente a fonte de reinfestação. Fêmeas ingurgitadas que caem do cão depositam ovos em canteiros, frestas, rachaduras de muros e camas de cão. Para controlar a infestação ambiental:
- Mantenha o quintal com grama aparada e sem folhagem densa no solo,
- Aplique produtos ambientais carrapaticidas em frestas, bordas de muros e locais de descanso do cão — com orientação veterinária,
- Lave a cama do cão regularmente com água quente,
- Em casos de infestação grave, considere o auxílio de empresa de controle de pragas para tratamento ambiental profissional.
Doenças transmitidas por carrapatos: o que você precisa saber
Erliquiose canina
Causada pela bactéria Ehrlichia canis, transmitida principalmente pelo Rhipicephalus sanguineus, é uma das doenças mais comuns e graves transmitidas por carrapatos no Brasil. A fase aguda pode se manifestar com febre, apatia intensa, perda de apetite, linfonodos aumentados e alterações sanguíneas. Se não tratada, pode evoluir para fase crônica grave com comprometimento da medula óssea.
Babesiose
Causada por parasitas do gênero Babesia, que invadem e destroem os glóbulos vermelhos. O sinal mais característico é a anemia hemolítica, que pode se manifestar com mucosas pálidas ou amareladas (icterícia), fraqueza intensa e urina escurecida. É uma emergência veterinária.
Febre maculosa
Causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida principalmente pelo carrapato-estrela (Amblyomma cajennense). É zoonótica — ou seja, pode ser transmitida para humanos pelo carrapato. Em cães, os sintomas incluem febre alta, petéquias (pequenas hemorragias na pele e mucosas), edema e comprometimento multissistêmico. É considerada urgência veterinária.
Sinais de alerta: quando ir ao veterinário
Após a remoção de um carrapato, ou se o cão frequenta áreas de risco, observe os seguintes sinais nas semanas seguintes:
- Febre (temperatura retal acima de 39,5°C),
- Apatia marcante ou recusa de alimento,
- Mucosas pálidas, amareladas ou com petéquias,
- Dor articular ou dificuldade de movimentação,
- Edema de membros,
- Urina escurecida (marrom ou vermelha),
- Sangramento espontâneo (nariz, gengivas).
Qualquer combinação desses sinais após exposição a carrapatos deve ser avaliada pelo veterinário com urgência. As doenças transmitidas por carrapatos respondem bem ao tratamento quando identificadas precocemente.
Carrapatos e humanos: risco zoonótico
Embora cães não transmitam diretamente as doenças para humanos, eles podem trazer carrapatos infectados para dentro de casa. Um carrapato que cai do cão no ambiente doméstico pode se fixar em humanos. Por isso, a proteção do cão é também uma forma de proteção da família.
Ao remover carrapatos do cão, use sempre luvas e evite contato direto. Se você ou alguém da família encontrar um carrapato fixado na pele e desenvolver febre, dor de cabeça intensa, manchas ou erupções cutâneas nas semanas seguintes, procure atendimento médico informando sobre a exposição ao parasita.
Conclusão
O controle de carrapatos depende de rotina e consistência, não de ação pontual. Inspeção corporal frequente, uso correto de antiparasitários com orientação veterinária e manejo do ambiente são as três frentes que, juntas, reduzem de forma significativa o risco para o seu cão e para toda a família. Não espere encontrar um carrapato para começar a agir: a prevenção é sempre mais simples e segura do que o tratamento.