Pekingese
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Pekingese

Afetuoso, independente e de porte pequeno, o Pekingese é um cão de companhia tradicional com aparência leonina e personalidade marcante.

Origem
China
Tamanho
Small
Expectativa de vida
12-14 anos
Temperamento
Afetuoso, Leal, Nobre, Determinado, Independente

Origem e História

O Pekingese é uma das raças mais antigas e veneradas da história canina, com origem na China imperial que remonta a mais de dois mil anos. Considerado um animal sagrado na corte da dinastia Tang e nas eras subsequentes, o Pekingese era criado exclusivamente no interior do Palácio Proibido de Pequim, reservado à família imperial e à mais alta nobreza. Nenhum cidadão comum poderia possuir um Pekingese; fazê-lo era crime punível com a morte.

A raça era cercada de lendas e mitologia. Segundo a lenda budista, o Buda encolheu um leão a um tamanho minúsculo, criando o “Fu Dog” — o cão leão que hoje conhecemos como Pekingese. Essa narrativa reforçou o caráter sagrado da raça e sua associação com a realeza e o divino. Os exemplares imperiais eram tratados como membros da corte, com criados dedicados, alimentação especial e os melhores cuidados disponíveis.

O Pekingese chegou ao Ocidente durante a Segunda Guerra do Ópio, em 1860, quando tropas britânicas e francesas invadiram o Palácio de Verão em Pequim. Alguns exemplares foram levados como espólio de guerra e presenteados à rainha Vitória da Inglaterra. A raça rapidamente conquistou a aristocracia europeia e foi reconhecida pelos principais clubes cinófilos britânicos no final do século XIX.

Características Físicas

O Pekingese é um cão de porte pequeno e aparência imperial. Pesa entre 3,5 e 6 quilogramas e raramente ultrapassa 25 centímetros de altura no garrote. O que mais impressiona é a proporção: um corpo relativamente pesado e compacto em relação ao tamanho, com ombros largos e estrutura que lembra a de um leão em miniatura.

A cabeça é grande e chata, com focinho muito curto, face achatada (característica braquicefálica), prega de pele acima do nariz e olhos grandes, redondos e proeminentes. As orelhas são longas, de inserção alta, recobertas por pelos abundantes. O pescoço é curto e musculoso.

A pelagem é dupla e longa: a camada externa é densa e reta, enquanto o subcasaco é macio e espesso. Forma uma juba abundante ao redor do pescoço e ombros — referência visual direta ao leão. As cores são variadas: vermelho, fawn, preto, creme, branco, tricolor e outros. A cauda é comprida, arqueada sobre o dorso e coberta de pelos fartos.

A marcha característica do Pekingese é ligeiramente rolante, quase majestosa — uma combinação da estrutura corporal e do temperamento seguro de si.

Temperamento e Personalidade

O Pekingese é um cão de personalidade nobre, seguro e independente. Séculos de vida em cortes imperiais moldaram uma raça que não é submissa por natureza — ao contrário, o Pekingese tem plena consciência do seu valor e espera ser tratado com respeito. É leal e afetuoso com a família próxima, mas reservado com estranhos, mantendo uma postura digna que raramente se traduz em excessiva efusividade.

Não é o tipo de cão que se lança sobre todos com alegria indiscriminada. Seu afeto é seletivo e, por isso, especialmente valioso. Quando decide confiar em alguém, o vínculo formado é profundo e duradouro. Com crianças muito pequenas pode não ser a melhor combinação — sua paciência tem limites e sua estrutura física delicada pode sofrer em brincadeiras excessivamente enérgicas.

O Pekingese tem uma teimosia lendária. Quando decide não cooperar, pode ser notoriamente difícil de convencer. Isso não é falta de inteligência — é simplesmente a expressão de um caráter forte e autônomo que foi selecionado ao longo de séculos.

Treino e Inteligência

O treino do Pekingese exige paciência, consistência e criatividade. Não é uma raça altamente motivada por obediência como um Border Collie ou um Labrador — o Pekingese coopera quando vê razão para isso, e raramente quando não vê. Métodos de reforço positivo, com petiscos de alta qualidade e recompensas que o cão realmente valoriza, produzem resultados muito melhores do que qualquer abordagem punitiva ou coercitiva.

As sessões de treino devem ser curtas (não mais de 5 a 10 minutos) e frequentes, mantendo o interesse do cão sem desgastá-lo. É importante estabelecer desde cedo regras claras sobre o que é e o que não é permitido, pois um Pekingese sem limites pode tornar-se muito teimoso e dominante dentro de casa.

A socialização precoce é fundamental para garantir que o adulto seja bem-comportado em diferentes situações sociais. Exposição gradual a pessoas diferentes, sons, ambientes e outros animais contribui para um perfil mais equilibrado e seguro.

Saúde e Cuidados

O Pekingese tem expectativa de vida de 12 a 14 anos, mas como raça braquicefálica, enfrenta desafios de saúde específicos relacionados à conformação do crânio e do focinho. A síndrome braquicefálica — conjunto de problemas respiratórios que incluem palato mole alongado, narinas estreitas e outros — pode afetar a qualidade de vida e exige monitoramento veterinário constante. Ambientes muito quentes ou úmidos são particularmente perigosos para cães braquicefálicos, que têm menor capacidade de dissipar calor pela respiração.

Os olhos grandes e proeminentes do Pekingese são vulneráveis a traumas, irritações e infecções. Limpeza ocular regular e proteção de espinhos ou vegetação durante passeios são medidas importantes. A prega de pele acima do nariz precisa ser limpa regularmente para evitar acúmulo de umidade e desenvolvimento de dermatite.

Problemas ortopédicos, como luxação patelar e doença do disco intervertebral (devido ao corpo longo em relação ao tamanho), também podem ocorrer. Monitorar o peso corporal é essencial — um Pekingese obeso sofrerá ainda mais de problemas respiratórios e articulares.

A pelagem longa requer escovação diária ou em dias alternados para evitar nós e emaranhados. Banhos mensais e manutenção das unhas, orelhas e higiene dental completam a rotina de cuidados.

Exercício e Atividade Física

O Pekingese não tem as exigências de exercício de raças esportivas. Passeios curtos e moderados, de 15 a 20 minutos por dia, combinados com brincadeiras tranquilas dentro de casa, são geralmente suficientes. Não é um cão feito para corridas longas ou atividades físicas intensas — sua estrutura física e conformação braquicefálica limitam naturalmente o nível de esforço que pode suportar.

Em dias quentes, os passeios devem ser feitos nas horas mais frescas do dia — cedo pela manhã ou ao entardecer. Sinais de dificuldade respiratória, como ofego excessivo, respiração ruidosa ou fraqueza, devem ser levados a sério e tratados com urgência veterinária.

Apesar das limitações físicas, o Pekingese aprecia brincadeiras suaves dentro de casa e interações com brinquedos adequados ao seu porte. A estimulação mental — esconder petiscos, jogos de olfato simples — pode contribuir para o bem-estar geral sem sobrecarregar o sistema respiratório.

Para Quem é Ideal

O Pekingese é ideal para tutores que buscam um companheiro elegante, leal e de personalidade forte, sem necessidade de alto nível de exercício físico. É uma excelente escolha para pessoas mais tranquilas, idosos e lares sem crianças pequenas, onde o cão pode receber a atenção e o respeito que a raça exige.

Tutores que esperam um cão altamente obediente e de fácil manejo podem encontrar desafios na teimosia do Pekingese. No entanto, para quem aprecia a personalidade única e a história fascinante desta raça milenar, o Pekingese oferece uma companhia genuinamente especial — um fragmento vivo de uma das civilizações mais ricas da história humana.

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